terça-feira, 22 de junho de 2010

GARÇONS FLUMINENSES SEGUEM APOIANDO A LEI ANTIFUMO


Entrevista com Antônio Anjo, o novo presidente do Sindicato dos Garçons

No dia 1º de maio de 2010, Antônio Francisco Anjo assumiu a presidência do Sindicato dos Garçons, Barmen e Maitres do Estado do Rio de Janeiro (SIGABAM), que tem como principal reivindicação legalizar a distribuição dos 10% para profissionais que trabalham diretamente com cliente. Além de exigir o cumprimento dos direitos da categoria, o SIGABAM tem uma sede social, consultório odontológico, plano de saúde e oferece cursos de requalificação profissional e banco de empregos. Antônio é fumante há 18 anos e, mesmo assim, completamente a favor da Lei Antifumo.

Site Rio Sem Fumo - O sindicato apoia a Lei Antifumo?

O apoio do sindicato à Lei é incondicional. Percebemos que o cumprimento dela era importante para a saúde dos trabalhadores, que para nós, está em primeiro plano. O fumante tem o direito de fumar em locais próprios, mas não é certo ferir o direito dos outros.

SRSF - E você, como fumante, o que acha da Lei?

A questão não é ser fumante, é ser educado. Não fumo dentro de casa, pois a minha mulher não gosta, nem dentro do carro com outras pessoas. Também nunca fumei em restaurantes, onde sabia que podia atrapalhar alguém. É preciso ter a consciência e respeitar o direito de terceiros. O princípio da educação sempre esteve dentro de mim.

SRSF - O que os garçons do sindicato dizem com relação à Lei? Eles apóiam?

Eles estão completamente a favor da Lei. Num ambiente de trabalho onde a sua saúde pode estar em risco constantemente o rendimento diminui e o estresse aumenta.

SRSF - Você acredita que a Lei diminuiu o público dos estabelecimentos?

Claro que não. É comprovado que quando você fuma, acaba comendo e bebendo menos. É aquela sobremesa que você deixou de consumir, aquele chope que deixou de beber. Quando proibiram as pessoas de fumar nos elevadores, elas não começaram a subir de escada por isso. Quando fizeram o mesmo com os aviões, ninguém deixou de viajar. É uma questão de costume, apenas.

SRSF - Como e quando será a Corrida dos Garçons?

A corrida vai acontecer dia 15 de agosto. Aquele que conseguir levar o maior número de bebidas em menos tempo num trajeto estipulado por nós é o vencedor. Cerca de 80% dos participantes da competição não é fumante. Além de economizar dinheiro com cigarro, a pessoa ainda tem vigor físico, que a ajuda a ser ganhadora.


Entrevista extraída do site Rio Sem Fumo.
Cartoon - Kamil Yavuz (Istambul, Turquia)

segunda-feira, 21 de junho de 2010

DRÁUZIO VARELLA E A LEI ANTIFUMO

A lei antifumo foi aprovada há um ano. Nenhum bar, restaurante ou hotel faliu nem houve desemprego

Já me xingaram por eu haver dito o que penso, mas uma vez fui vaiado antes de pronunciar a primeira palavra. Foi na Assembleia Legislativa de São Paulo nos dias que antecederam a votação da lei que proibiu o fumo em ambientes fechados. Com uma claque numerosa, o sindicato dos empregados de bares e restaurantes havia lotado as cadeiras destinadas ao público, com a finalidade de pressionar os deputados a votar contra. Gritavam palavras de ordem, sopravam apitos e agitavam bandeiras coloridas; clima de arquibancada em dia de clássico do glorioso alvinegro.
Fiquei um pouco desconcertado, esperei a algazarra terminar e acrescentei no tom mais conciliador que consegui: “Eu, se trabalhasse nas condições de vocês, faria de tudo para demitir a diretoria de um sindicato que nunca moveu um dedo para cobrar adicional de insalubridade em benefício dos associados”. Depois disso, pude continuar.
A lei antifumo foi aprovada há apenas um ano. Nenhum bar, restaurante ou hotel faliu nem houve desemprego. Pelo contrário, em muitos deles o movimento aumentou. Defender o direito de obrigar os circunstantes a fumar por tabela e a liberdade do cidadão para prejudicar os outros sem ingerência do Estado ficou fora de moda. Atrever-se hoje a justificar essa linha de pensamento é cair no ridículo.
Mais de 90% dos paulistas aprovaram a lei; entre eles, a maioria dos que fumam. Coisa mais civilizada tomar um chope com os amigos ou levar a família para almoçar sem expor crianças, mulheres grávidas e pessoas mais velhas à toxicidade da fumaça alheia. Parece distante o tempo em que, ao chegar em casa, precisávamos tomar banho e jogar a roupa no cesto por causa do cheiro de cigarro que impregnava até o cabelo e o sutiã das mulheres.
Em SP, o cumprimento das novas regras ultrapassa 99%, número ao qual jamais haveríamos chegado sem a participação ativa da sociedade. Segundo pesquisa do Incor, os índices de monóxido de carbono nos estabelecimentos fechados caíram 80%. E, como subproduto, a procura de tratamento para abandonar o fumo aumentou 40%.
Esses resultados despertaram uma reação em cadeia pelo país inteiro. Pelo menos 12 Estados aprovaram legislação semelhante. Em cidades como Belo Horizonte e muitas outras, a proibição nos bares, escritórios e restaurantes começou a ser implantada voluntariamente antes que a lei fosse votada.
Mesmo nos Estados mais permissivos, cidades pequenas, distantes dos grandes centros, criaram leis municipais para banir a fumaça dos espaços em que convivem fumantes e não fumantes.
Indiferentes a essa movimentação da sociedade brasileira, o governo federal e a maioria de nossos legisladores aquartelados em Brasília ainda mantêm em vigor a pré-histórica lei 9294/96 que permite o fumo em “área destinada exclusivamente para esse fim, devidamente isolada e com arejamento conveniente”, como se essa proeza circense fosse exequível.
Colocar no papel uma besteira dessas pega até mal para o país. Com base em inúmeras evidências científicas, a Organização Mundial da Saúde adverte que é inútil separar fumantes de não fumantes em ambientes fechados: tecnologia nenhuma conseguiu criar sistema de exaustão capaz de aspirar 100% da fumaça de cigarro nesses locais.
Basta o cidadão ser alfabetizado em rudimentos de física para saber que: “Em qualquer recipiente os gases se expandem de modo a ocupar o máximo de volume disponível”. Até que esse princípio seja revogado, quem conseguirá impedir que a fumaça se espalhe?
Não faltam exemplos de desafios que as sociedades enfrentaram adotando comportamentos muito à frente da legislação. No Brasil, em particular, com burocracia paquidérmica e falta de sintonia dos legisladores com os anseios da população, tais contradições se agravam.
Mas este é um ano de eleições, acontecimento que tem o dom de transformar nossos homens públicos em seres humanos mais sensíveis. Que tal uma lei federal que proíba fumar em ambientes fechados válida para o país inteiro?
A permanecer como está, os senhores acham justo que a saúde de um paulista, de um mineiro ou de um carioca tenha mais valor do que a de um brasileiro governado por pessoas mais ignorantes?

Dráuzio Varella, Folha de São Paulo, 19/jun/2010

quinta-feira, 3 de junho de 2010

PHILIPPINE CANCER SOCIETY NA LUTA CONTRA O TABACO


Sociedade Contra o Câncer das Filipinas compara o ato de fumar ao de cometer suicídio

As mensagens de conscientização sobre os riscos de fumar podem ter várias roupagens. Nas Filipinas, a Sociedade Contra o Câncer de lá divulgou mensagem com imagem forte, para referir-se às 55 mortes diárias no país devido às doenças relacionadas ao tabagismo.

Vale lembrar que, no Brasil, a mortalidade é 10 vezes superior.

Philippine Cancer Society: http://www.philcancer.org.ph/



Campanha Anti Fumo da PCS

domingo, 30 de maio de 2010

TABAGISMO - UM HOLOCAUSTO ANUAL PELO EQUÍVOCO DA HUMANIDADE

A ESPÉCIE HUMANA EQUIVOCOU-SE AO NÃO PERCEBER OS RISCOS DE FUMAR

Às vésperas do Dia Mundial Sem Fumo de 2010, cabe a reflexão sobre este extraordinário equívoco que foi a introdução do tabagismo na comunidade europeia, a partir de uma prática indígena ritualística das Américas, isto ainda em meados do século XVI, tornando-se pouco depois uma prática global.
A ação manipuladora da indústria do fumo teve efeito desastroso sobre a já precária capacidade de discernimento de nossa espécie. A cada publicação científica de alerta, ainda na primeira metade do século XX, um engodo nos era impingido. Foi assim com os filtros, foi assim com a produção de cigarros de 'baixos teores' de nicotina e alcatrão, etc.
A nova onda industrial, que pode pode reverter os números recentes de queda no consumo de cigarros, e até por isto, é a busca do mercado feminino, onde por razões culturais a adesão feminina ainda não tenha ocorrido _ 'apenas' 9% das mulheres fumam, enquanto que 40% dos homens o fazem. Caso isto aconteça efetivamente, países como China e Índia vivenciarão nas próximas décadas a consumação de um verdadeiro genocídio.
O Dia Mundial Sem Fumo de 2010, promovido pela Organização Mundial da Saúde, tem este matiz: Protejamos as Mulheres da Fumaça e do Marketing do Tabaco (Protect women from tobacco marketing and smoke).
----------------------------------------------

Entrevista concedida à Lísia Palombini para o Conexão Futura

Canal Furura - 28/maio/2010

domingo, 23 de maio de 2010

A INDÚSTRIA DO CINEMA E A DO TABACO - UMA ASSOCIAÇÃO COM RISCOS PARA A SAÚDE PÚBLICA

Recursos oriundos de uma indústria contribuem para a produção de outra. Quem regula esta parceria?

A cena exposta abaixo revela um risco imenso para a saúde pública, onde o roteiro de um filme refere como uma recompensa, por um ato heróico, a obtenção de cigarros.

É complicadíssimo, para os agentes da saúde pública e os ativistas planetários do movimento antifumo, fazer frente às mensagens pró-fumo, dirigidas ao subconsciente de milhões de pessoas, tão extraordinariamente bem arquitetadas pelos roteiristas e produtores das produções hollywoodianas.

Não obstante morrerem quase 6 milhões de pessoas por ano no mundo por doenças relacionadas ao tabaco, a pequena mobilização social em torno do tema ainda não exerce pressão adequada sobre os que decidem.

Mensagem pró-fumo difícl de combater

A Universidade de São Franscisco, nos EUA, é a que mais alertas produz para os riscos da associação tabaco-cinema. Seus técnicos criaram um projeto Smoke Free Movies (Filmes Sem Fumo), motivados por diversos de seus estudos que comprovavam que o cinema ainda é o que mais tem poder de influenciar os jovens para a adesão à nicotina.

OMS - Tobacco Free Film - 2003

Em 2003, após reiteradas solicitações daquela Universidade, a Organização Mundial da Saúde utilizou-se desta preocupação para lançar o mote da campanha da Dia Mundial Sem Fumo daquele ano: 'Filmes sem tabaco e Moda sem tabaco'.

domingo, 2 de maio de 2010

CALENDÁRIO ANTIFUMO DE 2010

Click to play this Smilebox calendar: Calendar 2010

DIA MUNDIAL SEM FUMO 2010 - UM ALERTA PARA AS MULHERES

Chique? Não, câncer de garganta



O dia 31 de maio, consagrado ao movimento planetário de conscientização sobre os males do tabaco, foca nos riscos do tabagismo para as fêmeas da espécie humana em 2010

Desde a década de 80 do século XX, dada a magnitude do problema do tabagismo no planeta, os técnicos da Organização Mundial da Saúde intuiram a necessidade de uma data para que globalmente pudéssemos trabalhar o tema.

Crescendo livre de Tabaco - tema de 1990 e 1998

A partir de 1990, ano em que a OMS lançou o tema 'Crescendo Sem Tabaco', dedicando a campanha daquela data à infância e à juventude, ano após ano, no dia 31 de maio é enfatizado um aspecto do problema.

No Dia Mundial Sem Tabaco de 2010, o alerta é para a ação da indústria do fumo que está mirando o seu arsenal para a captação das mulheres, jovens ou não, para assim ampliar o seu estoque de consumidores. Até porque, a cada ano ela perde 5.600.000 fumantes por morte (relacionada ao tabaco), somadas a um número até 20 vezes maior, representados pelos que adoecem gravemente e não conseguem mais fumar.

É sabido que o tabagismo é ainda mais cruel com as mulheres do que com os homens. De certa forma, o dito popular de que a mulher seria o sexo frágil, jamais comprovado exceto em força física, no que tange à sensibilidade ao tabagismo esta assertiva pode ser considerada verdadeira.

Existe um imenso mercado feminino a ser conquistado, na visão dos industriais do fumo. Por exemplo, na China, país mais populoso do mundo, enquanto em torno de 80% dos homens são fumantes (estima-se que 1/3 deles morrerá precocemente até 2030, por doença relacionada ao tabaco), apenas 5% das mulheres de hoje são dependentes de nicotina. O marketing da indústria esforça-se, desde o início deste século XXI, para revolucionar este quadro e romper a barreira cultural que impede a legião feminina de também ser escravizada. Assim como na China, há imensos outros mercados a serem manipulados.

Portanto, a Organização Mundial da Saúde traz em 2010 este alerta específico de gênero: há um marketing perigosíssimo direcionado às mulheres do planeta. A nós, a atenção plena.
Protejam as mulheres do marketing do tabaco e da fumaça
World No Tobacco Day 2010

Glamour? Não, câncer de boca

Sex appeal? Não, fumo passivo.

Estilo? Não, gangrena

Tabagismo na China

sexta-feira, 23 de abril de 2010

JOE ESZTERHAS - UM MILITANTE A FAVOR DO FUMO QUE MUDOU DE LADO

Joe Eszterhas

Joe Eszterhas é escritor e roteirista hollywoodiano, autor de diversos bestsellers que acabaram por alcançar as telas de cinema. Por outro lado, exercia também um papel ativo na glamourização do tabagismo em seus filmes. Curiosamente, fazia-o intencionalmente, como um ativista a favor do direito das pessoas de fumar.


A película em que isto ficou mais evidente e teve mais repercussão foi Basic Instinct (Instinto Selvagem). Nesta, a personagem da atriz Sharon Stone seduz a de Michael Douglas, inclusive, para que este volte a fumar. Uma das cenas do filme, de tão erótica, ficou gravada na memória dos cinéfilos, tendo sido escolhida a 'cena de pernas mais sensual da história do cinema', numa eleição realizada em Londres (14 anos após o lançamento de Basic). A psicóloga Catherine Trammel (Stone), é interrogada num ambiente policial; fuma, desrespeitando as autoridades lá constituídas; cruza as pernas ao acender o cigarro, e exibe a comentada genitália desnuda.

Após anos dedicados a esta militância pró fumo, Joe Eszterhas descobriu-se com câncer de garganta, uma das neoplasias mais relacionadas ao tabagismo, até porque a região faz parte permanente do trajeto da fumaça tóxica rumo ao cérebro, onde a nicotina precisa chegar para aplacar as síndromes de abstinência.

A visão de Eszterhas sobre o tabagismo e todo o sistema corrupto que o envolve mudou radicalmente após as diversas cirurgias e tratamentos outros a que teve de submeter-se. Fez, então, um pacto com Deus, disse ele, de forma a influenciar Hollywood e seus colegas de ramo a não mais glamourizar o tabaco, se escapasse vivo daquela situação incômoda. Escreveu, inclusive, uma nota no New York Times a este respeito, culpando-se pelo que teria feito a inúmeras pessoas. Milhões, na verdade. O título foi 'A responsabilidade de Hollywood pelas mortes por fumo'.

Os países em desenvolvimento, sobretudo estes, tem dificuldade extrema para obter e aplicar recursos financeiros em campanhas de conscientização para o antitabagismo. Hollywood disseminar imagens favoráveis ao uso do tabaco chega a ser covardia.

Em depoimento à Nadia Collot, no depoimento para o seu extraordinário documentário franco-belga, 'Tabac, La Conspiration', temos a oportunidade de ouvir Eszterhas expressar-se com todas as letras e sentimentos:
-------------------
Joe Eszterhas - nasce um ativista

A ANIMAÇÃO E O HUMOR COMO FORMA DE CONSCIENTIZAÇÃO ANTIFUMO

Da série mexicana HuevoCartoon, episódio em que o ovo falante estimula as pessoas a fumar é absolutamente fantástico.

Em apenas 2m37s, os seus autores conseguiram elencar uma imensa lista de fatores ligados ao tabagismo, tais como: a adesão à nicotina ainda na infância; a falta de ar e a tosse, sintomas da DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica_4a. causa de mortes no planeta e 5a. no Brasil); a gengivite, as cáries e a perda de dentes; a calvície; a má irrigação da pele, que altera o colágeno e leva às rugas e a alteração de sua coloração; a redução do apetite; o cheiro ruim; a redução da potência sexual; a pobreza dos mais vulneráveis agravada pelos gastos com o fumo e pelas aposentadoria e viuvez precoces; o câncer de garganta e o uso de próteses para a fala pela traqueostomia; a negação sobre a própria dependência da droga e de que haja riscos para si em fumar; e, enfim, a morte antecipada.

A arte da animação e o humor podem ser peças importantes no jogo de xadrez que é a luta pela melhoria da qualidade de vida da população do planeta. Ao grupo do HuevoCartoon, as nossas felicitações.

O Ovo Fumante - 'fumar, no pasa nada de nada'

quarta-feira, 21 de abril de 2010

AUSTRALIANO USA DE CRIATIVIDADE PARA SUPERAR PERÍODO DE QUARENTENA POR TUBERCULOSE MULTIRESISTENTE


Rapper Van Vuuren, internado em isolamento respiratório em Hospital de Sidney, Austrália, por portar a bactéria multiresistente à antibióticos, aproveita o tempo para criar e divulgar hits sobre esta sua experiência. Eles estão bombando na internet.


A tuberculose é uma doença infectocontagiosa causada por uma bactéria descoberta em 1882, pelo médico e pesquisador alemão Robert Koch, daí ser chamada de 'Bacilo de Koch', ou simplesmente, de 'BK'. Tal descoberta, de tão importante que foi para a saúde pública mundial, rendeu-lhe o Prêmio Nobel de Medicina de 1905.

Pesquisas recentes detectaram sinais da presença da bactéria ainda no antecessor de nossa espécie, no Homo erectus, portanto, há mais de 500 mil anos. No entanto, os fármacos que começaram a combater efetivamente a moléstia só surgiram no final da década de 40 e início da de 50 do século XX.

O tratamento regular cura até 100% dos casos de tuberculose. Entretanto, quando este é mal gerenciado, i.e., quando permite-se a irregularidade na tomada dos medicamentos ou o abandono dos mesmos antes do tempo preconizado (mínimo de 6 meses), dá-se uma mutação nas bactérias, que passam então a resistir à ação dos antibióticos. Dizemos que a doença torna-se resistente e, quando a mais de uma droga, multiresistente.

A tuberculose passa de uma pessoa para outra por via aérea, que dizer, pela tosse, espirros ou fala. Esta transmissão aérea é um fator dificultador do controle da doença, por tornar muito fácil a infecção. Daí, termos um terço dos habitantes do planeta infectados pelo BK.

Diversos fatores podem contribuir para que um indivíduo infectado pelo BK comece a desenvolver a doença tuberculose: aids, alcoolismo, câncer, depressão psíquica, desnutrição, diabetes, quimioterapia para câncer, stress, tabagismo e uso prolongado de cortisona, são alguns destes.

Os pacientes com bactérias multiresistentes, enquanto as estão transmitindo, devem ficar isolados da comunidade, até que as medicações as consigam controlar, interrompendo a sua cadeia de transmissão, o que pode levar meses.

Esta experiência, a de ser isolado do convívio das pessoas para tratar de uma infecção deste tipo pode levar os pacientes a diversas alterações de humor e comportamento, desde a ansiedade à depressão profunda. O rapper australiano Van Vuuren, sob quarentena num hospital australiano, desenvolveu uma forma pessoal de combater o strees a que está submetido por esta internação compulsória. Compõe e publica raps sobre a sua vivência intrahospitalar, raps estes que tornaram-se grandes hits na rede internacional de computadores.
-

Rap da Quarentena daTuberculose Multiresistente

A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera a Tuberculose Multiresistente um gravíssimo problema de saúde pública. Esta situação pode, se não tratada com eficiência, nos remeter à fase pré-antibiótica da medicina, quando a doença era chamada de Peste Branca. 'Peste', por dizimar milhões de pessoas e, 'branca', por gerar palidez cutânea, devido à anemia que provocava.

O rapper Christiaan Van Vuuren, que é consultor de marketing e estava numa reunião de trabalho quando tossiu e cuspiu sangue, já foi contatado pela OMS para trabalhar com o seu talento pelo controle da doença, explicando como são os seus principais sintomas.