domingo, 16 de novembro de 2008

O TABAGISMO PROMOVE 1 HOLOCAUSTO POR ANO








O Dr. Jeffrey Wigand foi Vice-Presidente da 2a. maior indústria de tabaco no mundo, a Brown & Williamson. Os depoimentos que prestou no Congresso Americano, junto com a toda a documentação apresentada, foram um marco no movimento mundial contra o tabagismo.

Parte de sua saga contra a indústria do fumo foi magistralmente apresentada no filme The Insider (O Informante), filme este que recomendamos a todos aqueles que desejam engajar-se neste movimento em prol da saúde pública mundial.
Trecho de 'Paixão por Cigarros'
transmititdo pelo GNT
video
Depoimento de Jeffrey Wigand

Abaixo, transcrevemos o prefácio que o Dr. Wigand escreveu para o nosso livro eletrônico "Fumar Pra Quê, Meninos e Meninas?".

Boa leitura. Saudações anti-tabágicas.
Alexandre Milagres.


PREFÁCIO do "Fumar Pra Quê, Meninas e Meninos?", por Jeffrey Wigand

A cada ano, mais de 5 milhões de pessoas mundo à fora perdem as suas vidas por causa do tabaco. Pensem nisto. 5 milhões de pessoas. Todas estas vidas são perdidas desnecessariamente e isto pode ser prevenido. Assustadoramente, a Organização Mundial da Saúde estima que se a indústria do tabaco continuar com os seus negócios livremente como sempre, esta quantidade aumentará para 10 milhões de vidas perdidas por ano. Esta imagem é equivalente a um holocausto por ano. Evidentemente, medidas de prevenção são imperativas. Agora, mais do que nunca, nós precisamos “desnormalizar” um produto que pode matar tanto o seu usuário quanto o inocente que esteja próximo.
A triste verdade é que mais de 90% dos fumantes adultos começam antes dos 18, em média entre 11 e 13 anos. A indústria sabe disto, inclusive um de seus mantras é “se nós os fisgamos quando jovens, nós os fisgamos para a vida toda”. De forma perturbadora, meninas jovens estão emergindo como um alvo novo para a indústria. Enquanto os países desenvolvidos do mundo restringem a liberdade de distribuição e venda de tabaco, a voracidade por lucros da indústria força-as a adentrarem em novos mercados. Estes novos mercados tendem a ser em países em desenvolvimento ou países com poucas barreiras regulatórias, em que discriminação de gênero seja a norma. Consequentemente, tanto mulheres quanto crianças estão sob grande risco de desenvolverem dependência em nicotina _ uma dependência que pode roubar a sua vitalidade, privá-los da oportunidade de contribuir para o crescimento de seus países e freiar o país, com gastos com assistência à saúde e perdas de produtividade.

A chave para minorar o dano causado pela indústria é um forte controle dos produtos. Este controle é multifacetado e não inclui apenas um componente informativo e educacional, mas também inclui restrições na fabricação e conteúdo dos produtos de tabaco, aumentos nos preços dos produtos de tabaco e criação de ambientes livres de fumaça. Um programa compreensível para minorar o dano causado pelo tabaco inclui estes quatro componentes.

O componente informativo/educacional inclui uma revelação completa dos efeitos e dos conteúdos do produto, rotulando-o com imagens fotográficas de advertência para elevar a o nível de conhecimento sobre as conseqüências sobre a saúde; restrições à publicidade e programas de educação que dotem as nossas crianças de ambas as informações, aquela que se contrapõe às campanhas de relações públicas da indústria, assim como a que as capacitam a fazerem escolhas inteligentes.
Como a indústria intencionalmente projeta os produtos de tabaco de uma maneira que aumente a geração de dependência, restrições na fabricação destes produtos são também necessárias. Sem dúvida, um produto completamente regulado poderia modificar a facilidade com que se fuma, com a restrição de certos aditivos que reforçam o uso e a dependência. Por exemplo, a indústria frequentemente inclui aditivos açucarados, tais como alcaçus, mel e chocolate em seus produtos. Estes ingredientes facilitam a iniciação e o uso, e ainda aumentam o desenvolvimento de dependência. A indústria também usa substâncias químicas para elevar a potência da nicotina e aumentar a sua taxa de absorção. Há uns 10 aditivos usados em cigarros, selecionados dentre mais de 600, que se fossem reduzidos na quantidade total adicionada ao tabaco dos cigarros, ou totalmente retirados, diminuiriam a facilidade no uso e a dependência. Afinal, é a dependência físico-química à nicotina que conduz compulsivamente o dia a dia da vida de um fumante.
Os aumentos de preço comprovadamente reduzem a taxa de fumo da juventude. Nós aprendemos, com a experiência, que um aumento de 10% no preço leva a 7% na queda do fumo entre os jovens. Além da elevação dos preços, elevar a idade a partir da qual uma criança possa legalmente comprar o produto e impondo penalidades aos comerciantes que vendam produtos a crianças abaixo desta idade pode ajudar a mitigar o dano causado pelo tabaco.

Finalmente, a criação de ambientes livres de fumo nos locais de trabalho, restaurantes e espaços públicos, é essencial para mitigar os efeitos do fumo passivo sobre um inocente que esteja presente. A criação de espaços públicos e de trabalho livres de fumaça tem salvo muitas vidas inocentes em municípios, estados e países. Além disto, estes ambientes deram aos fumantes que desejam parar de fumar um caminho e uma motivação para abandoná-lo.

Idealmente, um planejamento para reduzir o dano causado pelos produtos de tabaco incluirá todos estes quatro componentes: educação e informação, regulamentações na fabricação, aumentos nos preços e ambientes livres de fumo.

Este livro fornece ao leitor informação e educação sobre o produto, um primeiro passo essencial. É a minha esperança, e a daqueles que estão bem informados sobre este produto, que o leitor será inspirado a agir de forma que contribuirá para mitigar o dano causado por este produto e é a minha crença, que aqueles que estão bem informados têm o dever de assim proceder.

Ass. Jeffrey Wigand, ex-Vice-Presidente de Pesquisa e Desenvolvimento da Brown & Williamson.
(English)

N.R. A Organização Mundial da Saúde considera que há dois momentos no movimento mundial contra o fumo: antes e após Jeffrey Wigand link1.













A luta do Dr. Wigand contra o sistema-tabagismo pode ser vista no Filme O Informante (The insider), de Michael Mann, 1997 Link2.

Posteriormente, Wigand criou uma organização para contribuir para a conscientização da turma jovem: Smoke Free Kids (Crianças Livres da Fumaça)Link3.

Nenhum comentário: